|
Penso que Companheirismo possa ser entendido como o "efeito espelho". Significa dizer: respeito todos os companheiros, por vê-los como se eu estivesse diante de um espelho, vendo a eu próprio. Quando vejo um companheiro (mesmo sem jamais conhecê-lo), demonstro a ele o meu total respeito ... Da mesma forma como respeito à minha própria pessoa. Se todo e qualquer companheiro é admitido pelo reconhecimento de seu caráter ilibado (tal como eu o fui ...) se ele se presta a servir voluntariamente à causa da paz e da compreensão (como eu me presto ...) se ele é uma pessoa de boa vontade (como eu procuro ser ...) se ele está disposto a assumir a Prova Quádrupla como princípio de sua conduta na sociedade (como eu aprendi a estar ...), ele deve merecer o meu respeito. Ou seja, o companheirismo, no meu entendimento, é sinônimo de auto-estima e auto-respeito. E, para que eu possa honrar essa forma carinhosa ... (e nobre) como sou tratado em Rotary, preciso estar em permanente vigília quanto à minha forma de agir (do que pensar, do que dizer, do que fazer). Para que eu possa merecer esse tratamento, preciso controlar os eventuais ímpetos de arrogância e de vaidade excessiva; conter a ironia e o sarcasmo; rever o modo de ser. Para merecer ser tratado como Companheiro, preciso agir como um autêntico Companheiro. Tal qual diante de um espelho ... Houve um saudoso companheiro no Distrito 4570, de renomada reputação por suas qualidades artísticas ao piano. Engenheiro construtor de formação profissional (essa era sua classificação ...) resolveu dedicar sua vida ao piano. Jovem ainda trocou os empreendimentos imobiliários pela arte de interpretar belas canções. Passou a entreter turistas nos Transatlânticos do Lloyd do Brasil (o Brasil já os teve ...). Rotariano, compôs várias marchinhas para muitos Clubes de Rotary. Celso Macedo era seu nome (ele está citado pelo Companheiro Reis na matéria de capa da Revista Brasil Rotário desse mês). Grande Celso Macedo ... Quantas Saudades! Mais que companheiros, ficamos Amigos ... E íntimos. Todos os chamavam, em reconhecimento às suas habilidades artísticas, de "MAESTRO CELSO MACEDO”. Todos, sem exceção! Certo dia eu assim a ele me dirigi. E dele ouvi uma reprimenda. Disse-me ele, com seus grandes e expressivos olhos azuis: "Até Você, Joper, meu Melhor Amigo, me tratando dessa forma???" E eu lhe respondi, com humildade, como que sem entender o que se passava: "Mas Você, Celso, é o nosso Mestre ... Por isso, o nosso Maestro!" Pensava eu (como estava enganado ... ) que ele me compreenderia. Mas ele, de forma enérgica, como um bom Pai, me deu uma grande e inesquecível lição, ao dizer-me: "E porque Você não me trata da forma mais nobre que um Rotariano pode tratar ao outro?". "Trate-me como COM - PA - NHE- I - RO! (disse-me essa palavra vagarosamente, sílaba por sílaba, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas). Daí em diante jamais voltei a tratar Celso Macedo de outra forma se não como COM - PA - NHE - I - RO CELSO MACEDO. E seus olhos sempre se encheram de brilho, a cada dia (e foram muitos, Graças a Deus!) em que nos encontramos. Inclusive no dia do seu sepultamento, quando em minhas palavras de despedida a ele me dirigi dizendo-lhe: "COMPANHEIRO CELSO MACEDO - Obrigado pelas lições de vida que me concedeste.". Isso, meus Companheiros, é como este Companheiro resume o "espírito" do companheirismo em Rotary. Façamos, então, nossas reflexões. E, inspirados na Prova Quádrupla procuremos a cada dia, a cada momento, a cada palavra, a cada gesto, a cada atitude, olhando-nos no espelho da vida, no espelho do Rotary, honrar a mais elevada de nossas comendas: o insigne título de COMPANHEIRO, aquele que compartilha do ideal de servir, em favor da paz e da compreensão entre as pessoas. Abraço fraterno a todos e a cada um/a de meus/minhas COMPANHEIROS/AS. (texto produzido para o Grupo de Estudos sobre Rotary na Internet Geroi-Brasil em 09/06/06) Joper Padrão do Espirito Santo Governador 2001-02 do Distrito 4570 Rotary Club do Rio de Janeiro - Tijuca Classificação: Economia / saneamento ambiental
|